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terça-feira, 12 de junho de 2018

Do desapego dos bens da terra - Santo Afonso de Ligório

"Bem aventurados os pobres de espírito" (Mt 5,3) diz o Salvador, e, "Ai dos ricos" (Lc 6,24). Que quer dizer com isso? Talvez que todos os pobres que imploram a nossa caridade são felizes e que todos os ricos são infelizes? Certamente não; ele quer com isso recomendar a todos, quer ricos, quer pobres, a virtude do desapego, pois muitos pobres há cujos corações estão apegados às coisas terrenas e muitos ricos que delas estão inteiramente desapegados.

1) Quanto ao que se refere aos pobres propriamente ditos, deve-se dizer que, só por sofrerem falta dos bens terrenos, não possuem ainda a pobreza de espírito: para que a possuam requer-se que não queiram possuir nenhuma outra coisa fora de Deus. "Encontro muitos pobres, diz Santo Agostinho, e debalde procuro um", isto é, muitos são de fato pobres, mas poucos em espírito e no desejo. S. Teresa diz dos que são extremamente pobres, mas não em espírito, que eles engam o mundo e a si mesmos. Para que lhes servirá sua pobreza em bens da terra? Quem é extremamente pobre, mas infelizmente alimenta desejos de riquezas, tem simplesmente os incômodos da pobreza e não a virtude. Os pobres verdadeiramente virtuosos não desejam nada fora de Deus e são por isso imensamente ricos. A eles se podem aplicar as palavras de S. Paulo: "Não tem nada e possuem tudo" (2 Cor 6,10) pois, se não possuem bens temporais, exclamam, cheios de consolação: "Vós só, meu Deus, me bastais."

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

O Amor do Mundo torna os homens Infelizes - Santo Afonso de Ligório

Que é propriamente este mundo? Um campo cheio de espinhos, lágrimas e dores. O mundo promete grandes recompensas a seus sequazes: divertimentos, alegrias e paz; tudo, porém, se reduz a ilusão, amargura e vaidade. As riquezas honras e prazeres mundanos transformam-se finalmente em tormentos e aflições. E queira Deus não se eternize para muitos amigos do mundo essa aflição, pois são inúmeros, grandes e inevitáveis os perigos de perder a Deus, a alma e o céu no meio do mundo. 

Os bens deste mundo não podem saciar o nosso coração. Os animais que foram criados para a terra, contentam-se com o terrestre; mas o homem que foi criado para Deus, só em Deus pode achar sua satisfação. É o que nos ensina a experiência, pois se os bens terrenos tornassem felizes os homens, seriam certamente felizes os príncipes deste mundo, que possuem em abundância dinheiro, honras e alegrias. E o que vemos? Eles vivem mais descontentes e incomodados que os outros homens, pois onde há maior riqueza e dignidade, reina também maior temor, amargura e inquietação.

domingo, 3 de dezembro de 2017

Sobre o vício da Impureza

Por Santo Afonso de Ligório


"Santo Tomás diz que, devido a todos os vícios, mais especialmente pelo vício da impureza os homens são lançados para longe de Deus. Além disso, os pecados da impureza em virtude do seu grande número são um mal imenso. Um blasfemador nem sempre blasfema, mas só quando está bêbado ou quando é provocado pela ira. O assassino cujo trabalho é matar os outros, em geral não comete mais que oito ou dez homicídios, mas os impuros são culpados de uma torrente incessante de pecados, por pensamentos, por palavras, por olhares, por complacências, e por toques, de modo que, quando vão a confissão eles acham impossível dizer o número de pecados que cometeram contra a pureza.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

São João Maria Vianney: Sermão sobre a Pureza

“Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus” (Mat. 5, 8).


"Nós lemos no Evangelho, que Jesus Cristo, querendo ensinar ao povo que vinha em massa, aprender dEle o que era preciso fazer para ter a vida eterna, senta-se e, abrindo a boca, lhes diz: “Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus.” Se nós tivéssemos um grande desejo de ver a Deus, meus irmãos, só estas palavras não seriam acaso suficientes para nos fazer compreender quanto a pureza nos torna agradáveis a Ele, e quanto ele nos é necessária? Pois, segundo Jesus Cristo, sem ela, nós não o veremos jamais! “Bem-aventurados, nos diz Jesus Cristo, os puros de coração, porque eles verão o bom Deus”. Pode-se acaso esperar maior recompensa que a que Jesus Cristo liga a esta bela e amável virtude, a saber, a posse das Três Pessoas da Santíssima Trindade, por toda a eternidade?… São Paulo, que conhecia bem o preço desta virtude, escrevendo aos Coríntios, lhes diz: “Glorificai a Deus, pois vós o levais em vossos corpos; e sede fiéis em conservá-los em grande pureza. Lembrai-vos bem, meus filhos, de que vossos membros são membros de Jesus Cristo, e que vossos corações são templos do Espírito Santo. Tomai cuidado de não os manchar pelo pecado, que é o adultério, a fornicação, e tudo aquilo que pode desonrar vossos corpo e vosso coração aos olhos de Deus, que a pureza mesma”. (I Cor, 6, 15-20) Oh! Meus irmãos, como esta virtude é bela e preciosa, não somente aos olhos dos homens e dos anjos, mas aos olhos do próprio Deus. Ele faz tanto caso dela que não cessa de a louvar naqueles que são tão felizes de a conservar. Também, esta virtude inestimável constitui o mais belo adorno da Igreja, e, por conseguinte, deveria ser a mais querida dos cristãos. Nós, meus irmãos, que no Santo Batismo fomos rociados com o Sangue adorável de Jesus Cristo, a pureza mesma; neste Sangue adorável que gerou tantas virgens de um e outro sexo; nós, a quem Jesus Cristo fez participantes de sua pureza, tornando-nos seus membros, seu templo… Mas, ai! Meus irmãos, neste infeliz século de corrupção em que vivemos, não se conhece mais esta virtude, esta celeste virtude que nos torna semelhantes aos anjos!… Sim, meus irmãos, a pureza é uma virtude que nos é necessária a todos, pois que, sem ela, ninguém verá o Bom Deus. Eu queria fazer-vos conceber desta virtude uma ideia digna de Deus, e vos mostrar, 1º. quanto ela nos torna agradáveis a Seus olhos, dando um novo grau de santidade a todas as nossas ações, e 2º. o que nós devemos fazer para conservá-la".

sábado, 30 de setembro de 2017

Palavras da gloriosa Virgem à sua filha sobre a forma de vestir

Palavras da gloriosa Virgem à sua filha, sobre a forma de vestir e o tipo de roupas e enfeites com os quais a filha deve adornar-se e vesti-se.


"Eu sou Maria, que deu à luz o Filho de Deus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Sou a Rainha dos anjos. Meu Filho te ama com todo o coração. Ama-O! Deves adornar-te com roupas muito honestas e eu te mostrarei como e que tipo de roupas devem ser. Como antes, tinhas uma anágua, uma túnica, sapatos, uma capa e um broche sobre seu peito, agora hás de cobrir-te com roupas espirituais. A anágua é a contrição. Como a anágua se veste junto ao corpo, assim a contrição e a conversão são o primeiro passo de volta a Deus. Através delas, a mente, que em um momento encontrou gozo no pecado, se purifica e a carne impura se mantém sob controle.

Os dois sapatos são duas disposições, na verdade a intenção de retificar as transgressões passadas e a intenção de fazer o bem e manter-se longe do mal. Tua túnica é a esperança em Deus. Como a túnica tem duas mangas, há de haver justiça e misericórdia em tua esperança. Desta forma esperarás na misericórdia de Deus porque não esquecerás sua justiça. Pensa em sua justiça e em seu juízo, de forma que não esqueças sua misericórdia, porque Ele não usa a justiça sem misericórdia nem a misericórdia sem justiça. A capa é a fé. Do mesmo modo que a capa cobre tudo e tudo está contido nela, a natureza humana pode igualmente abarcar tudo e conseguir tudo mediante a fé.

Esta capa deve ser enfeitada com as insígnias do amor de teu Esposo, ou seja, da forma como te criou, da forma que te alimentou, te atraiu para seu Espírito e abriu teus olhos espirituais. O broche é a consideração de sua paixão. Fixa firmemente em teu peito o pensamento de como Ele foi fraudado e mortificado, como se manteve vivo na cruz, ensanguentado e perfurado em todas as suas fibras, como em sua morte seu corpo inteiro se convulsionou pela dor aguda da paixão, como entregou seu Espírito nas mãos do Pai. Que este broche permaneça sempre em teu peito! Sobre tua cabeça, coloque-se uma coroa, ou seja, a castidade em teus afetos, que prefiras resistir aos açoites antes de tornar a manchar-te. Sê modesta e digna. Não penses nem desejes nada mais que o teu Criador. Quando tens a Ele, tens tudo. Adornada desta forma, deves esperar o teu Esposo".

Revelações de Nossa Senhora a Santa Brigida
Livro 1 - Capítulo 7

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Graus de Perfeição - São João da Cruz

1. Por nada deste mundo cometer pecado, nem mesmo venial com plena advertência, nem imperfeição conhecida.

2. Procurar andar sempre na presença de Deus, real, imaginária ou unitiva, segundo se coadune com as obras que está fazendo.

3. Nada fazer nem dizer coisa de importância, que Cristo não pudesse fazer ou dizer se estivesse no estado em que me encontro e tivesse a idade e a saúde que eu tenho.

4. Procure em todas as coisas a maior honra e glória de Deus.

5. Por nenhuma ocupação deixar a oração mental que é o sustento da alma.

6. Não omitir o exame de consciência, sob pretexto de ocupações, e, por cada falta cometida, fazer alguma penitência.

7. Ter grande arrependimento por qualquer tempo não aproveitado ou que se lhe escapa sem amar a Deus.

8. Em todas as coisas, altas e baixas, tenha a Deus por fim, pois de outro modo não crescerá em perfeição e mérito.

9. Nunca falte à oração e quando experimentar aridez e dificuldade, por isso mesmo persevere nela, por que Deus quer muitas vezes ver o que há na sua alma e isso não se prova na facilidade e no gosto.

10. Do céu e da terra sempre o mais baixo e o lugar e o ofício mais ínfimo.

11. Nunca se intrometa naquilo de que não te encarregaram, nem discuta sobre alguma coisa, ainda que esteja com a razão. E, no que lhe for ordenado, se lhe derem a unha (como se costuma dizer) não queira tomar também a mão, pois alguns, nisto se enganam, imaginando que têm obrigação de fazer aquilo que, bem examinado, nada os obriga.

12. Das coisas alheias não se ocupe, sejam elas boas ou más, porque além do perigo que há de pecar, essa ocupação é causa de distrações e amesquinha o espírito.

13. Procure sempre confessar-se com profundo conhecimento de sua miséria e com sinceridade cristalina.

14. Ainda que as coisas de sua obrigação e ofício se lhe tornem dificultosas e enfadonhas, nem por isso desanime, porque não há de ser sempre assim, e Deus, que experimenta a alma simulando trabalho no preceito (Cf. Sl 93,20), daí a pouco lhe fará sentir o bem e o lucro.

15. Lembre-se sempre de que tudo quanto passar por si, seja próspero ou adverso, vem de Deus, para que assim nem num se ensoberbeça nem no outro desanime.

16. Recorde-se sempre de que não veio senão para ser santo e assim não consinta que reine em sua alma algo que não leve à santidade.

17. Seja sempre mais amigo de dar prazer aos outros do que a si mesmo e, assim, com relação ao próximo, não terá inveja nem predomínio. Entenda-se, porém, que isso se refere ao que for segundo a perfeição, porque Deus muito se aborrece com os que não antepõem o que lhe agrada ao beneplático dos homens.

Pequenos Tratados Espirituais

quarta-feira, 27 de abril de 2016

O Modo de governar a Língua - Scupoli

Trecho tirado do livro "O Combate Espiritual" de Lorenzo Scupoli. 

Livro lido por S. Francisco de Sales (Século XV)

"A língua do homem tem grande necessidade de ser controlada e refreada, porque somos muito inclinados a deixá-la correr solta e discorrer sobre o que mais agrada aos nossos sentidos. O falar demais geralmente tem sua raiz na soberba, com a qual, convencidos de saber muito e da superioridade de nossas opiniões, procuramos impô-las aos outros, querendo sempre ter a última palavra, como se fôssemos mestres de quem todos tivessem que aprender.

Não se pode dizer em poucas palavras os danos causados pelo seu excesso. A loquacidade é mãe da preguiça, sinal de ignorância e imaturidade, porta da distração, provedora da mentira e inibidora da devoção e do fervor. O muito falar alimenta as paixões viciosas, o que por sua vez anima cada vez mais a língua a continuar em sua tagarelice indiscreta. Não te alongues em grandes discursos com quem te ouve de má vontade, para não o cansar, e nem tampouco com quem te ouve com prazer, para não exceder os limites da modéstia.

segunda-feira, 14 de março de 2016

São João Bosco e a Modéstia nas vestimentas

Dom Bosco recusou entrar em uma casa onde tinha sido convidado, pois quando ao entrar encontrou com umas senhoras com os braços cobertos só até a metade.



Neste texto Dom Bosco nos ensina a perfeita modéstia com o seu exemplo.

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Em 1855, noutra circunstancia, deu a conhecer sua intransigência para com algumas senhoras.

Era D. Bosco esperado por uma certa Marquesa, benfeitora assídua dos seus jovens, a qual para acolher a Dom Bosco convidara numerosas amigas. Muitas senhoras luxuosamente vestidas acorreram logo, ansiosa; por se entreter com D. Bosco. Duas dentre estas foram receber D. Bosco; mal este pusera o pé no vestíbulo da entrada, estavam um tanto decotadas e com os braços cobertos só até a metade.

Logo que as viu, o santo sacerdote abaixou os olhos e disse:

- Desculpem-me, enganei-me, julgava entrar numa casa e penetrei noutra. Assim dizendo dispôs-se a sair.

- Não, D. Bosco, o senhor não se enganou, é justamente aqui que o aguardamos.

- Não, replicou o santo, não pode ser. 

Eu estava certo de que na casa para a qual me convidaram um padre pudesse entrar livremente. Tenho pena das senhoras, porém, pois a moda as faz empregar tanta seda na cauda do vestido que depois fica faltando para cobrir os braços. E Dom Bosco continuou a se afastar.

Percebendo então as senhoras que que estavam faltando contra a modéstia enrubeceram e cheias de confusão foram buscar algum chale que as cobrisse. Assim vestidas voltaram rogando a D.Bosco que já se achava na escada, que as perdoasse e fizesse o favor de voltar.

- Agora sim respondeu D. Bosco sorrindo, assim está bem.

Assim foi D. Bosco homenageado por todos os convivas e as duas senhoras não tiraram aquelas vestes improvisadas durante todo o tempo do almoço.

Fonte: Dom Bosco nos Guia à Pureza

quinta-feira, 10 de março de 2016

As conversas e como se há de falar de Deus - São Francisco de Sales

"Um dos meios mais triviais que têm os médicos para conhecer o estado de saúde de uma pessoa, é a inspeção da língua; e eu posso afirmar que as nossas palavras são o indício mais certo do bom ou do mal estado da alma. Nosso Senhor disse: Por vossas palavras sereis justificados e por vossas palavras sereis condenados. Muitas vezes e espontaneamente movemos a mão para o lugar em que sentimos uma dor e movemos a língua, a todo amor que sentimos no coração.

Se amas a Deus, Filotéia, falarás frequentemente de Deus nas tuas conversas íntimas com as pessoas de casa, com teus amigos e vizinhos. A boca do justo, diz a Escritura, meditará sabedoria e a sua língua falará prudência. Fala, pois, muitas vezes de Deus e experimentarás o que se diz São Francisco - que, quando pronunciava o nome do Senhor, sentia a alma inundada de consolações tão abundantes que até a sua língua e seus lábios se enchiam de doçura.

Mas fala de Deus como de Deus, isto é, com um verdadeiro sentimento de respeito e de piedade e nunca fales dele manifestando uma ciência vã ou num tom de pregador, mas com o espírito de caridade, mansidão e humildade. Imita, quanto a isto, a Esposa dos Cantares, derramando o mel delicioso da devoção e das coisas divinas no coração do próximo, e pede a Deus em espírito que se digne deixar cair este orvalho santo nas almas das pessoas que te ouvem. Sobretudo, não lhes fales com um tom de correção, mas de um modo de inspiração e como os anjos, isto é, com uma doçura angélica, porque é admirável quanto pode alcançar nos corações uma boa palavra que procede do espírito de amor e mansidão.

Jamais fales de Deus ou da devoção como um assunto de diversão ou passatempo, mas sempre atenta e devotamente. Digo isso para te prevenir contra uma espécie de vaidade muito perigosa em que costumam incorrer muitas pessoas que fazem profissão de piedade, isto é, dizer a toda hora muitas palavras santas, como uma simples conversa e sem nenhuma atenção, depois disso pensa-se que se é realmente tal como se deixou transparecer aos outros, o que infelizmente não se é de modo algum."

Filotéia, ou Introdução a Vida Devota, São Francisco de Sales , cap. XVI.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Santos 'puritanos': São Pedro de Alcântara citado por Santa Teresa[4]

Santa Teresa de Jesus 

"(...) E que bom modelo o Senhor agora nos levou chamando a si o bendito Frei Pedro de Alcantara! O mundo já não é capaz de suportar tanta perfeição. Dizem que as saúdes estão mais fracas e que os tempos mudaram. Este santo homem viveu em nossos dias. Possuía o espírito robusto, como os santos de outrora; sabia desprezar o mundo. Ainda que não andemos descalços nem façamos tão áspera penitência como ele, muitas coisas há, como tenho dito por várias vezes, em que se pode também menosprezar o mundo. O Senhor o ensina quando encontra ânimo. E que grande coragem sua majestade deu ao referido santo para fazer durante quarenta e sete anos tão áspera penitência, como todos sabem. Quero dizer a este respeito alguma coisa, e sei que é a pura verdade.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

O Carnaval Santificado e as divinas beneficências

Texto de Santo Afonso de Ligório

I. Por este amigo, a quem o Espírito Santo nos exorta a sermos fiéis no tempo da sua pobreza, podemos entender Jesus Cristo, que especialmente nestes dias de carnaval é deixado sozinho pelos homens ingratos e como que reduzido à extrema penúria. Se um só pecado, como dizem as escrituras, já desonra a Deus, o injuria e o despreza, imagina quanto o divino Redentor deve ficar aflito neste tempo em que são cometidos milhares de pecados de toda a espécie, por toda a condição de pessoas, e quiçá por pessoas que lhe estão consagradas. Jesus Cristo não é mais susceptível de dor; mas, se ainda pudesse sofrer, havia de morrer nestes dias desgraçados e havia de morrer tantas vezes são as ofensas que lhe são feitas.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

A Humildade - Por Santo Afonso de Ligório

Segui o exemplo de Sta. Catarina de Senna. Quando era tentada de vanglória, humilhava-se; e quando acometida de desânimo, confiava em Deus, pelo que o demônio lhe disse um dia com raiva: “Maldita tu e maldito quem te ensinou esse meio de me vencer. Não sei mais como te apanhar”. — Assim, pois, quando o inimigo vos disser que para vós não há perigo de cair, tremei, pensando que, se Deus vos deixa um instante, estais perdidas. Quando fordes tentadas de desânimo, dizei com Davi: Senhor, pus em vós todas as minhas esperanças, confio que não serei confundida, privada da vossa graça e feita escrava do inferno.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Como fazer uma boa confissão (quando uma confissão é inválida?)

Trechos abaixo retirado do livro "Escola da perfeição cristã" do santo doutor Santo Afonso de Ligório.


"Por sacramento da penitência entende-se aquele pelo qual são perdoados em virtude da absolvição do sacerdote, os pecados cometidos depois do batismo, ao que os confessa ao sacerdote, visto Jesus Cristo haver-lhe concedido esse poder, pelas palavras: "Aos que perdoardes os pecados, ser-lhe-ão perdoados e aos que os retiverdes, ser-lhes-ão retidos" (Jo 20,23). Por isso o Concílio de Trento lança a excomunhão aos que afirmarem não possuir este sacramento a virtude de perdoar os pecados. (...)

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

O Cardeal São Roberto Belarmino e o Pudor

O Cardeal São Belarmino, que vigiava os olhos com máximo cuidado, foi certa vez visitar um príncipe.

Na antecâmara, onde teve de aguardar um pouco, viu uns quadros com figuras bastante impróprias, e ficou enojado.

Durante a audiência nem tocou naquilo com o príncipe, mas, ao despedir-se, disse-lhe:

- Eu gostaria de recomendar a Vossa Alteza uns pobrezinhos que não têm a roupa necessária para cobrirem sua nudez.

- Farei de bom grado essa obra de caridade, respondeu o príncipe, e acompanhou o Cardeal à porta.

Quando chegou à antecâmara, o Cardeal, apontando os quadros, disse:

- Eis os desnudos de que lhe falei.

O príncipe compreendeu, e mandou logo retirar tais figuras.

Fonte: Palavra de Deus em exemplos – G. Montarino J.C. – Edições Paulinas.

sábado, 19 de dezembro de 2015

Maneiras de fazer mortificações pelos pecados - Por Santo Afonso de Ligório

Por S. Afonso de Ligório



"Nunca percas de vista esta bela sentença de S. Teresa: Quem julga que Deus admite à sua amizade pessoas que amam a comodidade, engana-se redondamente. 'Os que são de Cristo, crucificaram sua carne com seus vícios e concupiscência', diz o Apóstolo (Gál 5,24). Por isso considera como uma dádiva divina toda a ocasião de te mortificares e não deixes nenhuma sem te aproveitares dela.

Reprime teus olhos e não os detenhas em cosias que satisfazem unicamente a curiosidade. Evita toda conversação em que se trata unicamente de novidades ou de outras coisas mundanas. Esforça-te sempre em mortificar o paladar: nunca comas e bebas unicamente para contentar tua sensualidade, mas só para sustentar teu corpo. Renuncia voluntariamente aos prazeres lícitos e dize generosamente, quando ouvires falar das alegrias do mundo: 'Meu Deus, só a vós eu quero e nada mais'. 

Faze com fervor todas as mortificações externas que a obediência e as circunstâncias permitirem. Se não puderes mortificar teu corpo com instrumentos de penitência, pratica ao menos a paciência nas doenças, suporta alegremente toda incomodidade que consigo traz a mudança do calor e do frio; não te queixes quando te faltar alguma coisa, alegra-te antes quando te faltar até o necessário.

Mas principalmente a mortificação interna é que deves praticar, reprimindo tuas paixões e nunca agindo por amor-próprio, por vaidade, por capricho, ou por outros motivos humanos, mas sempre com a única intenção de agradar a Deus. Por isso, enquanto possível, deves te privar daquilo que mais te agradar e abraçar o que desagrada a teu amor-próprio. Por exemplo: quererias ver um objeto: renuncia a isso justamente por te sentires levado a contemplá-lo; sentes repugnância por um remédio amargo: toma-o justamente por ser amargo; repugna-te fazer benefícios a uma pessoa que se mostrou ingrata para contigo: faze-o justamente porque tua natureza se rebela contra isso. Quem quer pertencer a Deus, deve se violentar incessantemente e exclamar sem interrupção: Quero renunciar a tudo, contanto que agrade a Deus."

Escola da Perfeição Cristã.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Sobre a Misericórdia e Justiça Divina - Por Santo Afonso de Ligório

Misericordia enim et ira ab illo cito proximant, et in peccatores respicit ira illius — «A sua misericórdia e a usa ira chegam rapidamente, e em sua ira olha para os pecadores» (Eclo 5,7).

"De dois modos o demônio engana os homens e arrasta muitos consigo ao inferno. Depois do pecado arrasta-os ao desespero, por meio da justiça divina; e antes do pecado excita-os a cometê-lo pela esperança da divina misericórdia. Se quisermos desfazer a arte do inimigo, façamos o contrário: depois do pecado, confiemos na misericórdia divina, mas, antes do pecado, temamos a sua justiça inexorável. Como poderia confiar na misericórdia de Deus quem abusa da mesma misericórdia para o ofender?

I. Diz Santo Agostinho que o demônio engana os homens de dois modos: pelo desespero e pela esperança. Quando o pecador caiu, arrasta-o ao desespero, representando-lhe o rigor da divina justiça; mas antes do pecado, excita-o a cometê-lo pela confiança na divina misericórdia. — Com efeito, será difícil encontrar um pecador tão desesperado que se queira condenar por si próprio. Os pecadores querem pecar, mas sem perderem a esperança de se salvar. Pecam e dizem: Deus é misericordioso; cometerei este pecado e depois irei confessar-me dele. Mas, ó Deus! é assim que falaram tantos que agora estão condenados!

terça-feira, 24 de novembro de 2015

S. Vicente Ferrer profetiza: 'Mulheres se vestirão como homens' - Crise na Igreja e um estrondo como nunca houve antes.

São Vicente Ferrer (1350-1419) , sermão em Barcelona no dia 13 de Setembro de 1403.

Um tempo como nunca houve, crise na Igreja

Virá um tempo como nunca houve, chorará a Igreja, as viúvas se levantarão ferindo seus peitos e não encontrarão consolo, agora está distante, mas chegará sem falta e muito perto daquele tempo em que dois começarão a fazer-se reis, seus dias não se prolongarão muito.


Estrondo como nunca houve, o castigo de Deus 

Chorai velhos e anciões, suplicai, chorai se algum de vós sois testemunha de um estrondo tão grande, de modo que não houve, nem haverá, nem se espera ver outro maior senão aquele que se experimentará no juízo. 

No entanto, tudo se renovará

Mas a tristeza se converterá em deleite, os Reis dos Reis, o Senhor dos Senhor, tudo purificará e renovará, a França, com seu orgulho, será de todo abatida, seu Príncipe, ai, ai, se as bandas de salteadores os vissem, ficariam assustados.

Libertinagem nos costumes, mulheres se vestirão como homens

Oh migueletes, oh catalões, a casa santa, as vossas e as de toda a Espanha previnirão e terão disponível a justiça, os dias não tardarão, estão já às portas, vereis um sinal e não o conhecereis, mas advirto que naqueles tempos as mulheres se vestirão como homens e se portarão segundo seu gosto e licensiosamente; os homens se vestirão vilmente como mulheres.

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Fonte: 
Págs. 76-77, J. Lascoé, Historia del Porvenir sobre el Imperio del Gran Monarca y Triunfos de la Iglesia Católica hasta el Fin del Mundo según las Profecías más célebres Antiguas y Modernas, Lérida, 1869.; B. Sánchez, Les Derniers Temps, Prophéties Publiques et Privées, Diffusion de la Pensée Française, Chiré en Montreuil, 1976. págs. 45-46. Grifos nossos. Visto em: O Príncipe dos Cruzados.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Obrigações das donzelas


1. Em todas as ações guardar suma modéstia. 
2. Ser mui considerada nas palavras. 
3. Não desejar ver nem ser vista. 
4. Não vestir com vaidade.
5. Fugir de conversas a sós com homens.
6. Abominar os namoros, teatros, bailes etc. 
7. Amar os exercícios de piedade. 
8. Não estar ociosa, nem um só momento. 
9. Fazer alguma discreta mortificação.


Santo Antônio Maria Claret
Caminho Reto e Seguro para chegar ao Céu

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Um dos maiores erros modernos: Confundir Fé com sentimentalismo

Esse artigo não está relacionado a modéstia, entretanto está relacionado a devoção e vida interior, a qual está intimamente ligada a nossos comportamentos e atitudes. Por isso, acho de extrema importância a abordagem destes temas aqui no blog. Principalmente porque vemos muito em nosso grupo do whatsapp e também na página pessoas que confundem a Fé com sentimentalismo! E alguns ainda vem com aquele ar de "docilidade" e "fábios de melos" e cia dizer frases prontas de que "precisam amar mais" por exemplo, quando veem alguém condenando alguma heresia ou algo que fere a fé católica. Tais erros são muito comuns nos meios católicos. 

Certa vez presenciei uma cena lastimável, a qual creio que serve de exemplo para o começo de nosso artigo, estava eu rezando o terço em uma Igreja, fora de horários de missas, estava com uma amiga, e logo entrou uma mulher. Ela entrou na Igreja, foi até o sacrário que estava no altar, se ajoelhou, ergueu as mãos como fazem os protestantes e começou a "orar em línguas" como os protestantes pentecostais, chorar, falar com voz ritmada, colocava a mão no sacrário, fez uma tremenda baderna no lugar santo! Sendo que ali é lugar de SILÊNCIO E ORAÇÃO. Isso até atrapalhou a recitação do terço que estávamos fazendo.
"Eu quero que todos vocês meus queridos filhos espirituais, combatam com o exemplo, e sem respeito humano uma santa batalha contra a moda indecente. Deus estará com vocês e irá salvá-los." São Pe. Pio de Pietrelcina

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